Danças típicas do interior: catira, quadrilha, jongo, congado e como assistir com respeito

Sapateado, palmas, tambores e passos marcados. Veja as principais danças do interior brasileiro, o que cada uma significa, onde assistir e como participar com respeito.

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Por Equipe Viagem Rural

6 min de leitura

Dois tambores artesanais verdes e amarelos amarrados com corda vermelha, usados na Folia de Reis
Tambores da Folia de Reis — Foto: André Koehne / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No interior do Brasil, a dança faz parte da vida comunitária. Ela está nas festas de santo, nas comemorações da colheita, nos encontros de vizinhos e nas rodas de música. Cada região tem seus passos, seus instrumentos e seus significados.

Este guia apresenta algumas das danças mais conhecidas do campo, com origem, contexto e reconhecimento oficial, quando existe. Também indica como assistir e participar com respeito. Ele faz parte da categoria de cultura caipira e tradições e complementa o texto sobre cultura caipira.

Muitas dessas danças têm caráter religioso ou ligado a comunidades tradicionais. Quando for assistir, pergunte, ouça e respeite.

Catira ou cateretê

A catira, também chamada de cateretê, é uma dança coletiva e popular, típica do Sudeste, mas espalhada por outras regiões. Sua origem é múltipla e combina traços europeus, indígenas e africanos, e existe desde o período colonial.

É marcada por palmas e sapateado, geralmente em duas fileiras de dançarinos, ao som da viola e de cantos. Tradicionalmente era dançada só por homens, mas hoje há também a presença de mulheres.

A catira está ligada à cultura caipira e à viola. Veja viola caipira.

Quadrilha junina

A quadrilha é uma dança de par, com marcador que conduz os passos, associada às festas juninas. Segundo estudos, surgiu no Brasil no século XIX, com influência da corte portuguesa, e ganhou novo significado no ambiente rural, como celebração da colheita e homenagem a São João, São Pedro e Santo Antônio.

Em 2024, a Lei nº 14.900 alterou a Lei nº 14.555/2023 para reconhecer as festas juninas e as quadrilhas juninas como manifestação da cultura nacional. Veja mais em festa junina no interior.

Nas cidades pequenas, a quadrilha costuma reunir moradores de todas as idades. Algumas vêm de tradição nordestina, com grupos organizados e figurinos elaborados.

Jongo

O jongo é uma forma de expressão afro-brasileira que integra percussão de tambores, dança coletiva e práticas de magia. Praticado em comunidades urbanas e rurais do Sudeste, foi registrado pelo Iphan no Livro de Registro das Formas de Expressão em 15 de dezembro de 2005, como Jongo no Sudeste, abrangendo Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Em geral, a roda de jongo tem tambores, cantos com pontos (versos improvisados ou tradicionais) e uma dança em círculo, em que os participantes entram em pares. Muitas rodas fazem parte de comunidades quilombolas e de festas de santos. Veja turismo quilombola.

Congado e reinado

O congado (ou reinado) é uma manifestação religiosa afro-brasileira, que surgiu no século XVII, a partir de ritos de coroação de reis negros e africanos, reinterpretados no Brasil. Está ligado às irmandades religiosas, principalmente de Nossa Senhora do Rosário.

Em Minas Gerais, é muito forte, com grupos chamados ternos, que cantam, dançam e tocam em cortejos com roupas coloridas, tambores e instrumentos de percussão. Em 2024, o Iepha-MG e a Secretaria de Cultura do estado anunciaram o reconhecimento dos reinados e congados como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais.

É uma prática de fé e de tradição familiar. Assistir exige atenção redobrada ao respeito.

Folia de reis

Além do canto, a folia tem danças de palhaços e bastiões, que brincam e protegem a bandeira. Veja folia de reis.

Cururu e siriri

No Pantanal, o cururu e o siriri são danças e cantos ligados à viola de cocho. O modo de fazer a viola de cocho foi registrado pelo Iphan em 2005. Veja viola caipira e viagem ao Pantanal.

Outras danças

Cada região tem suas danças. Alguns exemplos que aparecem em festas do interior:

  • Fandango, no Sul e no litoral.
  • Pau de fita, em festas juninas e escolas.
  • Danças gaúchas, típicas do Rio Grande do Sul. Veja cultura gaúcha.
  • Danças de festas religiosas, como as de São Gonçalo e de moçambique.

Pergunte na região que você visita quais danças são tradicionais.

Onde assistir

  • Festas juninas. Quadrilhas e danças em praças e escolas. Veja festa junina no interior.
  • Festas de santo e de padroeiro. Com congados, folias e catira.
  • Encontros e festivais de cultura popular.
  • Festas rurais e de peão. Veja festas rurais.
  • Comunidades quilombolas e tradicionais, com apresentações organizadas.
  • Fazendas e pousadas que promovem noites de música e dança.
  • Casas de cultura e museus.

Consulte a prefeitura, a secretaria de cultura e as associações locais. As datas mudam de ano para ano.

Como assistir com respeito

  • Pergunte antes de filmar ou fotografar. Em manifestações religiosas, isso é ainda mais importante.
  • Fique em silêncio nos momentos de cantos e de orações.
  • Não entre na roda sem convite, principalmente em jongo e congado.
  • Não use as manifestações como cenário para fotos posadas.
  • Respeite quem recusa visitantes. Nem todo grupo se apresenta ao público.
  • Contribua com a comunidade, comprando produtos e respeitando pedidos de doação.
  • Agradeça.

Como participar

Muitas comunidades convidam o visitante para dançar. Se for convidado:

  • aceite com simplicidade;
  • observe antes de entrar;
  • siga o ritmo e as instruções;
  • não tente "corrigir" o que vê;
  • respeite os limites, e não se force a participar.

Danças e turismo de base comunitária

Quando uma comunidade organiza apresentações ou visitas, o turismo pode gerar renda e valorizar a tradição, desde que respeite a vontade dos moradores. Veja turismo de base comunitária.

Cuidados práticos

  • Festas de interior costumam durar horas. Leve água e lanche.
  • Use calçado confortável, porque o piso pode ser irregular.
  • Se beber, não dirija. Veja como dirigir em estrada de terra.
  • Proteja-se do sol, do calor e de insetos.
  • Reserve hospedagem com antecedência em datas de festa. Veja hospedagem rural.

Perguntas frequentes

Catira e quadrilha são a mesma coisa?

Não. A catira é uma dança de sapateado e palmas, típica da cultura caipira. A quadrilha é uma dança de par, associada às festas juninas.

O jongo é uma dança religiosa?

É uma forma de expressão que combina dança, canto e tambores, ligada a tradições afro-brasileiras e, em muitas comunidades, a práticas de fé.

O que é congado?

É uma manifestação religiosa afro-brasileira, ligada à devoção a Nossa Senhora do Rosário, com cortejos, cantos e danças.

Posso filmar?

Peça permissão. Em manifestações religiosas, muitos grupos não permitem.

Onde encontrar essas danças?

Em festas de santo, festas juninas, festivais e comunidades tradicionais do interior. Consulte as prefeituras.

Conclusão

As danças do interior guardam histórias, crenças e modos de viver. Assisti-las com respeito, sem interferir, e valorizar quem as mantém é uma forma de viajar com mais consciência.

Antes de viajar, confirme datas e regras diretamente com as organizações locais. Essas informações mudam com frequência.

Fontes

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