Em 17 de junho de 2025, o conselho consultivo do Iphan aprovou por unanimidade os "Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas" como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Foi o reconhecimento mais recente de uma dança de raiz rural, que se soma ao jongo, registrado em 2005, e às matrizes do forró, que incluem a quadrilha, declaradas patrimônio em 2021.
Essas danças não são apresentações feitas para turista. Elas acontecem em festas de santo, ciclos religiosos e encontros comunitários com data marcada no calendário. Saber quando e onde acontecem é o primeiro passo para assistir a uma delas.
As danças, lado a lado
| Dança | Onde aparece | Quando | Reconhecimento |
|---|---|---|---|
| Catira ou cateretê | SP, MG, GO, MT, MS | festas de santo, festivais, festas do peão | aparece entre as expressões da viola registradas em Minas (Iepha, 2018) |
| Jongo ou caxambu | quatro estados do Sudeste | festas religiosas e encontros de jongueiros | patrimônio cultural do Brasil, Iphan, 2005 |
| Congado e reinado | Minas Gerais e outros estados | festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito | patrimônio cultural do Brasil, Iphan, 2025 |
| Quadrilha junina | todo o país, com força no Nordeste | junho e julho | manifestação da cultura nacional, Lei nº 14.900/2024 |
| Cururu e siriri | Mato Grosso e Mato Grosso do Sul | festas de santo e eventos culturais | modo de fazer a viola de cocho registrado pelo Iphan |
| Folia de Reis | MG, SP, GO, ES, RJ e outros | 24 de dezembro a 6 de janeiro | patrimônio de Minas Gerais desde 2017 |
Catira
Dança em fila, de homens na tradição mais antiga, com sapateado e palmas marcando o ritmo puxado por dois violeiros. Estava no programa da primeira Festa do Peão de Barretos, em 1956, ao lado de violeiros, danças folclóricas e queima do alho, segundo o clube Os Independentes. O Iepha cita as catiras entre os contextos em que a viola caipira vive em Minas Gerais. Mais sobre o instrumento em viola caipira.
Jongo
Dança de roda com tambores, canto em versos chamados pontos e um casal ao centro. O Iphan registrou o Jongo no Sudeste em 2005 e o descreve como forma de expressão presente nos quatro estados da região, também chamada de caxambu. É uma herança de africanos escravizados e de seus descendentes, muito presente no vale do Paraíba do Sul e no litoral fluminense e capixaba.
Muitas comunidades jongueiras recebem visitantes em datas festivas e oficinas. Procure grupos com agenda pública e respeite o caráter religioso de parte dos pontos. Ideias para visitas em comunidades estão em turismo quilombola.
Congado e reinado
Segundo o Iphan, os Saberes do Rosário reúnem práticas de devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia: coroação de reis e rainhas congos, cortejos, danças, cantos e rezas. Os ternos desfilam com tambores, bastões e fitas coloridas. Minas Gerais é o centro dessa tradição, com festas em centenas de municípios ao longo do ano.
Quadrilha junina
A quadrilha é a dança da festa junina. Desde 2024, por lei federal, festas e quadrilhas juninas são manifestação da cultura nacional. No Nordeste, as quadrilhas competem em concursos com figurino elaborado e coreografias ensaiadas por meses. No interior do Sudeste e do Sul, aparecem em festas de escola e paróquia. Veja festa junina no interior.
Cururu e siriri
O cururu é cantado em desafio por homens, ao som da viola de cocho e do ganzá. O siriri é dança de roda com saias rodadas, homens e mulheres, ao mesmo som. Os dois aparecem em festas de santo em Cuiabá e na baixada cuiabana. O Iphan registrou o modo de fazer a viola de cocho ligado a esse complexo cultural. Dá para combinar com a viagem ao Pantanal.
Onde ver várias danças de uma vez
O Festival do Folclore de Olímpia (SP) reúne grupos de todo o país em agosto. A edição de 2026 foi aberta em 1º de agosto com mais de 70 grupos de 21 estados, e cerca de 31 mil pessoas foram à noite de abertura, segundo a organização. A 63ª edição, em 2027, terá o Amazonas como estado homenageado, com a promessa de levar os bois Garantido e Caprichoso.
Como assistir com respeito
- Pergunte antes de fotografar, sobretudo em momentos de reza, coroação ou dentro de casas.
- Não entre na roda sem convite. No jongo e no siriri, a roda tem regras; muitas vezes os mestres chamam o público no momento certo.
- Siga o cortejo pelas laterais. Congados e folias param em casas e igrejas; não fique no caminho dos ternos.
- Contribua. Muitos grupos se mantêm com doações, venda de comida e apoio de festeiros.
- Não trate devoção como espetáculo. Parte dessas danças é oração.
Para o calendário das festas onde essas danças aparecem, veja festas rurais e Folia de Reis.
Fontes
- Estado de Minas. Saberes do Rosário ganha título de Patrimônio Imaterial do Brasil.
- Iphan. Jongo no Sudeste.
- Iphan. Modo de fazer viola-de-cocho associado ao complexo cultural do cururu e do siriri.
- Agência Brasil. Iphan declara o forró como Patrimônio Cultural do Brasil.
- Presidência da República. Lei nº 14.900, de 21 de junho de 2024.
- Iepha-MG. Saberes, linguagens e expressões musicais da viola em Minas Gerais.
- Agência Brasil. Folia de Reis é declarada patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais.
- Os Independentes. História da Festa do Peão de Barretos.
- Tribuna do Sertão. Abertura do 62º Festival do Folclore de Olímpia.




