Entre 2020 e 2025, o estado de São Paulo registrou 489 casos de febre maculosa e 244 mortes, segundo levantamento estadual divulgado pela imprensa em 2026. Quase metade dos doentes morreu. A doença é rara, mas mata porque o primeiro sintoma parece uma gripe e muita gente não conta ao médico que esteve no mato dias antes.

Esse é o espírito deste guia: poucos riscos no campo são frequentes, mas alguns são graves e têm sinais que você precisa reconhecer. Abaixo, cada um deles, com prevenção e o que fazer.

Conteúdo informativo, baseado em orientações do Ministério da Saúde. Não substitui avaliação médica.

Resumo: risco, sinal e reação

RiscoOnde apareceSinal de alertaO que fazer
Febre maculosapastos com cavalos e capivaras, margens de rios, sobretudo no Sudestefebre alta, dor de cabeça forte e dor no corpo até duas semanas depois da viagemprocurar atendimento e dizer que esteve em área com carrapato
Picada de cobramato alto, pilhas de lenha e pedra, beira de trilhador, inchaço, sangramento no localnão amarrar nem cortar; ir ao hospital de referência em soro
Escorpiãoentulho, tijolos, dentro de calçadosdor intensa imediatalavar o local e buscar atendimento; criança tem prioridade
Cabeça d'águarios e cachoeiras com chuva na cabeceiraágua turva, galhos descendo, barulho crescentesair da água na hora e ir para o alto
Leptospiroseágua e lama de enchente, beira de rio após chuvafebre e dor na panturrilha de 7 a 14 dias depoisatendimento e informar a exposição
Febre amarelaáreas de matafebre e icteríciaprevenção: vacina pelo menos 10 dias antes
Insolação e desidrataçãocampo aberto, trilhas no verãotontura, náusea, dor de cabeçasombra, água e repouso

Carrapatos e febre maculosa

A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia, transmitidas no Sudeste principalmente pelo carrapato-estrela. Segundo a Secretaria da Saúde de São Paulo, menos de 1% desses carrapatos carrega a bactéria, por isso o risco está em ambientes com muitos carrapatos e animais hospedeiros, como cavalos e capivaras.

Para prevenir, o Ministério da Saúde recomenda roupa clara (para enxergar o carrapato), calça com a barra por dentro da bota ou da meia, evitar mato alto e examinar o corpo a cada poucas horas depois de andar em pasto. Retire o carrapato com pinça, puxando com firmeza, sem esmagar.

Se nas duas semanas seguintes surgir febre alta com dor de cabeça e no corpo, procure atendimento e diga que esteve em área rural. O tratamento precoce faz diferença.

Cobras, escorpiões e aranhas

O Ministério da Saúde agrupa as serpentes de importância médica em quatro grupos: jararacas (Bothrops), cascavéis (Crotalus), surucucu (Lachesis) e corais verdadeiras (Micrurus). Entre os escorpiões, o amarelo (Tityus serrulatus) é o que mais preocupa, sobretudo em crianças.

Prevenção. Calçado fechado em trilha e pasto, lanterna à noite, sacudir botas e roupas antes de vestir e nunca pôr a mão em buraco, tronco oco ou pilha de lenha.

Se acontecer. Lave o local com água e sabão. Não faça torniquete, não corte, não chupe, não aplique folhas, pó de café ou terra, e não dê bebida alcoólica. Leve a pessoa a um hospital o mais rápido possível. O soro antiveneno é gratuito no SUS e fica em hospitais de referência definidos pela secretaria de saúde de cada estado. Pergunte na hospedagem, ao chegar, qual é o mais próximo.

Para orientação imediata, o Disque-Intoxicação, da Anvisa, atende pelo 0800 722 6001 e encaminha para o centro de informação toxicológica (Ciatox) da região.

Rios, cachoeiras e cabeça d'água

A cabeça d'água é a subida repentina do nível de um rio por causa de chuva forte na cabeceira, às vezes a quilômetros de distância e com sol no local. É causa recorrente de acidentes graves em cachoeiras brasileiras. Água que muda de cor, folhas e galhos descendo e aumento do barulho são os sinais para sair imediatamente e subir para um ponto alto.

Nunca pule sem conhecer a profundidade e cuide das pedras com limo. Com crianças, um adulto deve estar sempre ao lado. O guia de como visitar cachoeiras detalha esses cuidados.

Leptospirose

O Ministério da Saúde orienta evitar contato com água ou lama de enchente, cobrir feridas com curativo impermeável e não andar descalço em áreas alagadas. Os sintomas costumam aparecer entre 7 e 14 dias depois da exposição, mas podem levar até 30 dias. Febre com dor forte nas panturrilhas é um sinal clássico.

Febre amarela

A vacina está no calendário do SUS. Quem vai a áreas rurais ou de mata e não tem registro de vacinação deve tomá-la pelo menos 10 dias antes da viagem, segundo o Ministério da Saúde. Gestantes, bebês e pessoas com imunidade baixa precisam de avaliação médica antes.

Sol, calor e frio

No campo, a sombra pode estar longe. Use protetor e chapéu, beba água antes de ter sede e evite esforço entre 11h e 15h no verão. Em serras como a Mantiqueira e a Serra Catarinense, as madrugadas de inverno ficam abaixo de zero: hipotermia também é risco para quem acampa ou faz trilha no fim do dia.

Animais de fazenda

Cavalo assustado dá coice, vaca com bezerro defende a cria e cachorro de fazenda protege o território. Siga as regras da propriedade, não se aproxime de animal por trás, não dê comida sem autorização e lave as mãos depois do contato. Em cavalgadas, use capacete quando houver. Com crianças, veja turismo rural com crianças.

Antes de sair: quatro providências

  1. Confira a carteira de vacinação de todos.
  2. Monte o kit: remédios de uso contínuo com receita, analgésico, antialérgico, curativos, antisséptico, pinça, repelente com DEET, IR3535 ou icaridina e protetor solar. A lista completa está em o que levar para a fazenda.
  3. Pergunte à hospedagem onde fica o pronto-atendimento e o hospital com soro antiveneno mais próximos.
  4. Avise alguém do seu roteiro, sobretudo em trilhas sem sinal. Mais em trilha em fazenda.

Telefones

  • SAMU: 192
  • Bombeiros: 193
  • Polícia Militar: 190
  • Disque-Intoxicação (Anvisa): 0800 722 6001
  • Defesa Civil: 199

Fontes