Quando as fazendas de Lages, na serra catarinense, começaram a receber turistas nos anos 1980, o "dia na fazenda" já tinha cavalgada, ao lado da ordenha, do chimarrão e da comida de fogo de chão. Quatro décadas depois, andar a cavalo continua sendo a atividade que define uma viagem rural para muita gente, do passeio de uma hora em hotel-fazenda à lida com o gado no Pantanal.

O que muda de um lugar para outro é o terreno, o tempo em cima do cavalo e o tipo de animal. Este guia mostra quatro paisagens, o passo a passo para quem nunca montou e o que observar no trato com os animais.

Quatro paisagens, quatro cavalgadas

OndeComo éDuraçãoPara quem
Hotel-fazenda (Sudeste e Sul)trilha pela propriedade, em fila, ao passocurtainiciantes, famílias
Serra catarinense e Campos de Cima da Serracampos de altitude, coxilhas, friode algumas horas a meio diaquem já montou algumas vezes
Pantanal (MT e MS)campos, corixos, fim de tarde com fauna, lida com o gadoalgumas horas, no fim da tardequem quer bicho e cultura pantaneira
Ilha de Marajó (PA)fazendas centenárias, campos alagadosvariável, por expediçãoquem quer paisagem única e calor

Hotel-fazenda. É o formato de entrada. O condutor vai à frente, o grupo segue em fila e o cavalo conhece o caminho de cor. Pergunte se o passeio está incluído na diária ou é cobrado à parte; ver o que inclui a diária.

Serra catarinense. Foi ali que o turismo rural brasileiro começou, nos hotéis-fazenda da região de Lages. As cavalgadas atravessam campos abertos, e o inverno exige luva e roupa corta-vento. A história está em hospedagem rural, e a cultura do cavalo no Sul em cultura gaúcha.

Pantanal. Nas fazendas pantaneiras, a cavalgada costuma ser no fim da tarde, quando o calor baixa e os bichos aparecem. Em fazendas com pecuária ativa, dá para acompanhar a lida dos peões. Na cheia, parte dos campos fica alagada, e o cavalo atravessa água. Ver viagem ao Pantanal.

Marajó. O boletim de turismo rural do Ministério do Turismo cita as fazendas centenárias de Soure e Salvaterra, onde se fazem expedições de cavalgada em regiões de campos alagados, entre búfalos e aves. É a cavalgada mais diferente do país em paisagem.

Em destinos de aventura do interior paulista, como Socorro, há operadoras especializadas em cavalgada listadas pela prefeitura, uma alternativa para quem não está hospedado em fazenda.

Os primeiros minutos, para quem nunca montou

  1. Aproximação. Chegue pelo lado esquerdo do cavalo, à frente do ombro, falando baixo. Nunca por trás.
  2. Subida. O condutor segura o cavalo. Pé esquerdo no estribo, mão esquerda nas rédeas e na crina, impulso e perna direita por cima, sem chutar a garupa.
  3. Estribos. Só a ponta do pé apoiada, calcanhar para baixo. Assim, se cair, o pé não fica preso.
  4. Rédeas. Seguras com leveza, sem puxar. Para parar, puxe as duas com calma; para virar, leve a rédea para o lado desejado.
  5. Postura. Costas retas, ombros soltos, olhar para a frente. Em subida, incline o corpo para a frente; em descida, um pouco para trás.
  6. Distância. Mantenha cerca de um corpo de cavalo entre você e o da frente. Cavalo encostado na garupa de outro pode levar coice.

Se o cavalo se assustar, não grite nem solte as rédeas: segure firme, sente fundo na sela e espere o condutor.

Roupa e capacete

Calça comprida resistente, para não assar a parte interna das pernas, e calçado fechado com salto baixo, que não passe pelo estribo. Tênis de sola grossa e lisa funciona; chinelo e sandália, nunca. Protetor solar, chapéu preso ou capacete, e repelente para os fins de tarde.

O capacete raramente é obrigatório em passeio turístico, mas é a proteção mais importante contra lesão grave em queda. Se a propriedade oferecer, use; com crianças, exija.

O que dizem as normas

A ABNT tem duas normas de turismo equestre, mantidas pelo comitê de turismo de aventura: a NBR 15507-1, com requisitos para o produto, e a NBR 15507-2, que classifica os percursos por dificuldade. Operadoras que seguem a norma conseguem dizer, antes do passeio, o nível do percurso e o que se espera do participante. Pergunte por essa classificação, sobretudo em cavalgadas de meio dia ou mais.

Bem-estar do cavalo

Maus-tratos a animais domésticos são crime pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998, art. 32). Na prática, observe:

Sinal bomSinal de alerta
cavalos com peso adequado, pelo brilhante, cascos cuidadoscostelas e quadril muito aparentes
sela e manta limpas, sem feridas no lomboferidas, pelos falhados sob a sela
animais descansam entre um grupo e outroo mesmo cavalo sai o dia inteiro, sem pausa
condutor ajusta a sela e confere a cilha antes de montarninguém confere o equipamento
peso do cavaleiro compatível com o porte do animalqualquer pessoa vai em qualquer cavalo
água e sombra disponíveisanimais amarrados ao sol

Se notar maus-tratos, não monte e comunique a administração. Uma propriedade que cuida dos cavalos costuma cuidar também dos hóspedes.

Quem deve evitar ou consultar o médico

Gestantes, pessoas com problemas de coluna, quadril ou joelho, com osteoporose ou em recuperação de cirurgia devem conversar com o médico antes. Criança pequena deve ir em cavalo puxado pelo condutor ou na garupa de um adulto experiente, conforme a regra da propriedade. Ver turismo rural com crianças.

Depois de uma cavalgada longa, é normal sentir a parte interna das coxas e a lombar. Alongar antes e depois ajuda. Os demais cuidados de saúde no campo estão em saúde e segurança no campo.

Fontes