Cavalgada: como fazer um passeio a cavalo com segurança e respeito ao animal
Passeios a cavalo estão entre as atividades mais tradicionais do campo. Veja como escolher uma cavalgada, se preparar, agir com segurança e reconhecer bons cuidados com os animais.
Por Equipe Viagem Rural
7 min de leitura

Poucas atividades resumem tão bem a vida no campo quanto uma cavalgada. Atravessar pastos, riachos e trilhas montado, no ritmo do cavalo, é uma forma de ver a paisagem que nenhum carro oferece.
Mas o cavalo é um animal grande, sensível e imprevisível, e quem monta assume alguns riscos. Este guia explica como funcionam os passeios, como escolher uma operadora, o que vestir, como agir com segurança e como reconhecer se os animais são bem tratados. Ele faz parte da categoria de aventura e ar livre e complementa o texto sobre atividades ao ar livre no interior.
Tipos de cavalgada
- Passeio curto. De uma ou duas horas, geralmente dentro da propriedade, em ritmo lento. É o mais indicado para iniciantes.
- Cavalgada de um dia. Percurso maior, com parada para almoço. Exige mais condicionamento.
- Travessia de vários dias. Percursos longos, com pernoite em fazendas ou acampamentos. É indicada para quem tem experiência.
- Cavalgadas comunitárias e festivas. Em várias regiões do interior, grupos de cavaleiros se reúnem em eventos, festas e romarias, como acontece em cidades históricas de Minas Gerais.
- Passeios de charrete ou carroça. Uma alternativa para quem não quer montar.
Antes de escolher
Nem toda cavalgada é organizada com o mesmo cuidado. Pergunte:
- Qual é o nível de dificuldade do percurso, a duração e o tipo de terreno?
- Há guia ou monitor acompanhando o grupo?
- O passeio serve para iniciantes?
- Qual é a idade mínima e o peso máximo dos participantes?
- Como são escolhidos os cavalos para cada pessoa?
- Há capacete disponível?
- Quantos cavaleiros vão por grupo?
- O que acontece em caso de chuva ou de acidente?
- Há seguro?
- A empresa tem cadastro no Cadastur? O sistema é do Ministério do Turismo.
Normas técnicas
A ABNT tem normas para o turismo equestre no âmbito do turismo de aventura: a NBR 15507-1, com requisitos para produto, e a NBR 15507-2, com classificação de percursos. Elas orientam a segurança das operadoras. Uma empresa que conhece as normas costuma explicar com clareza como avalia riscos, prepara os condutores e monta os grupos.
Você não precisa ler a norma, mas pode perguntar se a operadora segue boas práticas de segurança e como classifica os percursos.
Como se vestir
- Calça comprida. Protege as pernas do atrito com a sela.
- Calçado fechado, de cano curto ou médio, com solado liso e pequeno salto, que evita que o pé escorregue pelo estribo. Não use chinelo nem sandália.
- Camisa confortável, de preferência com mangas.
- Chapéu ou boné, mas capacete é mais seguro.
- Protetor solar e repelente.
- Luvas, se você tiver, ajudam a segurar as rédeas.
- Evite roupas soltas, cordões e acessórios que possam se enroscar.
Capacete: vale usar?
Sim. Quedas de cavalo podem causar lesões na cabeça. O capacete de equitação é o mais indicado. Pergunte à operadora se há capacete para todos. Se você tem o seu, leve. Para crianças, o uso é ainda mais importante.
O básico de segurança
- Ouça o briefing. O guia explica como montar, segurar as rédeas, guiar e parar o cavalo.
- Monte e desmonte do lado esquerdo, com ajuda, conforme a orientação.
- Segure as rédeas com firmeza, sem puxar bruscamente.
- Mantenha a postura. Coluna ereta, calcanhares para baixo, olhar para a frente.
- Não grite, não corra e não faça movimentos bruscos.
- Mantenha distância dos outros cavalos. Alguns podem chutar ou morder.
- Siga o guia. Não saia do grupo ou da trilha.
- Não use celular enquanto monta.
- Avise o guia se estiver com medo, desconforto ou dor.
- Nunca ande atrás de um cavalo sem que ele saiba que você está lá.
Cavalos são animais de presa e reagem ao susto. Um ruído, um movimento repentino ou um inseto podem fazê-los se assustar.
Como reconhecer bons cuidados com os animais
O bem-estar do cavalo importa para ele e para a sua segurança. Sinais positivos:
- Cavalos com boa condição corporal, sem magreza excessiva.
- Cascos cuidados e ferraduras em bom estado, quando usadas.
- Selas e equipamentos bem ajustados, sem ferimentos no dorso.
- Água e sombra disponíveis nas paradas.
- Pausas regulares durante o percurso.
- Limite de peso e de horas de trabalho, com revezamento de animais.
- Trato calmo por parte dos tratadores, sem gritos ou chicotadas.
Sinais de alerta: cavalos muito magros, com feridas, mancando, sem água ou obrigados a trabalhar muito no calor. Se algo parecer errado, é melhor não participar. No Brasil, a lei de crimes ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê punição para maus-tratos a animais.
Cavalgada com crianças
- Confirme a idade mínima e se há cavalos e selas adequados.
- Prefira passeios curtos, em ritmo lento e com condutor a pé, quando existirem.
- Capacete é indispensável.
- Nunca deixe a criança sozinha com o cavalo.
- Explique as regras antes de montar.
Veja também turismo rural com crianças.
Quem deve evitar
- gestantes e pessoas com problemas de coluna, quadril ou joelho, sem orientação médica;
- pessoas com medo intenso de cavalos ou com alergia a pelos, poeira ou feno;
- quem está sob efeito de álcool.
Em caso de dúvida, consulte o seu médico.
Como se preparar fisicamente
Cavalgadas curtas exigem pouco preparo, mas as longas cansam pernas, quadris e costas. Antes de uma travessia, faça caminhadas e alongamentos. Durante a cavalgada, alterne posições e faça pausas. Beba água.
Riscos comuns
- Quedas, por susto do cavalo, terreno irregular ou mau equilíbrio.
- Coices e mordidas, por aproximação inadequada.
- Insolação e desidratação, em passeios longos.
- Picadas de insetos e contato com carrapatos. Veja saúde e segurança no campo.
- Contato com cercas de arame e galhos.
Em caso de queda com dor forte, tontura, perda de consciência ou suspeita de fratura, não se movimente, peça ajuda e ligue para o SAMU (192) ou os Bombeiros (193).
Quando ir
Manhãs e fins de tarde são mais agradáveis, principalmente no verão. Depois de chuva forte, trilhas ficam escorregadias e rios sobem. Consulte o guia da melhor época para turismo rural e verifique a previsão do tempo.
Onde fazer
Muitas fazendas e hotéis-fazenda oferecem cavalgada como atividade incluída ou à parte. Veja o que inclui a diária de uma fazenda-hotel e o que fazer em uma fazenda. No Pantanal, a cavalgada é uma forma tradicional de percorrer a paisagem. Veja viagem ao Pantanal.
O que levar
- calça comprida e calçado fechado;
- boné ou capacete;
- protetor solar e repelente;
- água;
- capa de chuva;
- uma troca de roupa;
- câmera protegida em bolsa fechada.
Veja também o que levar para a fazenda.
Perguntas frequentes
Preciso saber montar?
Não. Muitos passeios são feitos para iniciantes, com cavalos calmos e guia.
Qual é a idade mínima?
Varia com a operadora e o passeio. Pergunte antes.
Existe limite de peso?
Muitas operadoras têm limite, para proteger o animal. Pergunte.
Posso usar tênis?
Tênis com solado liso pode servir para passeios curtos. Botas ou sapatos com pequeno salto são mais seguros.
É perigoso?
Toda atividade com animais tem riscos. Com orientação, equipamento e cavalo adequado, eles diminuem.
Conclusão
A cavalgada é uma experiência de campo que combina paisagem, calma e conexão com o animal. Escolha uma operadora que cuide bem dos cavalos e das pessoas, vista-se de forma adequada, use capacete e siga as orientações do guia.
Antes de reservar, confirme valores, regras e condições diretamente com a operadora. Essas informações mudam com frequência.
Fontes
- ABNT. NBR 15507-1 e NBR 15507-2: Turismo de aventura, turismo equestre. Referência: Lista de normas ABNT de turismo de aventura (Abeta).
- Presidência da República. Lei nº 9.605/1998, Lei de Crimes Ambientais.
- Ministério do Turismo. Cadastur.


