Cavalgada: como fazer um passeio a cavalo com segurança e respeito ao animal

Passeios a cavalo estão entre as atividades mais tradicionais do campo. Veja como escolher uma cavalgada, se preparar, agir com segurança e reconhecer bons cuidados com os animais.

EV

Por Equipe Viagem Rural

7 min de leitura

Grupo de cavaleiros com cavalos marrons e brancos passa por uma rua de pedras em Tiradentes, Minas Gerais
Cavalgada em Tiradentes (MG) — Foto: Marinelson Almeida - Traveling through Brazil from Niteroi, Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Poucas atividades resumem tão bem a vida no campo quanto uma cavalgada. Atravessar pastos, riachos e trilhas montado, no ritmo do cavalo, é uma forma de ver a paisagem que nenhum carro oferece.

Mas o cavalo é um animal grande, sensível e imprevisível, e quem monta assume alguns riscos. Este guia explica como funcionam os passeios, como escolher uma operadora, o que vestir, como agir com segurança e como reconhecer se os animais são bem tratados. Ele faz parte da categoria de aventura e ar livre e complementa o texto sobre atividades ao ar livre no interior.

Tipos de cavalgada

  • Passeio curto. De uma ou duas horas, geralmente dentro da propriedade, em ritmo lento. É o mais indicado para iniciantes.
  • Cavalgada de um dia. Percurso maior, com parada para almoço. Exige mais condicionamento.
  • Travessia de vários dias. Percursos longos, com pernoite em fazendas ou acampamentos. É indicada para quem tem experiência.
  • Cavalgadas comunitárias e festivas. Em várias regiões do interior, grupos de cavaleiros se reúnem em eventos, festas e romarias, como acontece em cidades históricas de Minas Gerais.
  • Passeios de charrete ou carroça. Uma alternativa para quem não quer montar.

Antes de escolher

Nem toda cavalgada é organizada com o mesmo cuidado. Pergunte:

  1. Qual é o nível de dificuldade do percurso, a duração e o tipo de terreno?
  2. Há guia ou monitor acompanhando o grupo?
  3. O passeio serve para iniciantes?
  4. Qual é a idade mínima e o peso máximo dos participantes?
  5. Como são escolhidos os cavalos para cada pessoa?
  6. Há capacete disponível?
  7. Quantos cavaleiros vão por grupo?
  8. O que acontece em caso de chuva ou de acidente?
  9. Há seguro?
  10. A empresa tem cadastro no Cadastur? O sistema é do Ministério do Turismo.

Normas técnicas

A ABNT tem normas para o turismo equestre no âmbito do turismo de aventura: a NBR 15507-1, com requisitos para produto, e a NBR 15507-2, com classificação de percursos. Elas orientam a segurança das operadoras. Uma empresa que conhece as normas costuma explicar com clareza como avalia riscos, prepara os condutores e monta os grupos.

Você não precisa ler a norma, mas pode perguntar se a operadora segue boas práticas de segurança e como classifica os percursos.

Como se vestir

  • Calça comprida. Protege as pernas do atrito com a sela.
  • Calçado fechado, de cano curto ou médio, com solado liso e pequeno salto, que evita que o pé escorregue pelo estribo. Não use chinelo nem sandália.
  • Camisa confortável, de preferência com mangas.
  • Chapéu ou boné, mas capacete é mais seguro.
  • Protetor solar e repelente.
  • Luvas, se você tiver, ajudam a segurar as rédeas.
  • Evite roupas soltas, cordões e acessórios que possam se enroscar.

Capacete: vale usar?

Sim. Quedas de cavalo podem causar lesões na cabeça. O capacete de equitação é o mais indicado. Pergunte à operadora se há capacete para todos. Se você tem o seu, leve. Para crianças, o uso é ainda mais importante.

O básico de segurança

  • Ouça o briefing. O guia explica como montar, segurar as rédeas, guiar e parar o cavalo.
  • Monte e desmonte do lado esquerdo, com ajuda, conforme a orientação.
  • Segure as rédeas com firmeza, sem puxar bruscamente.
  • Mantenha a postura. Coluna ereta, calcanhares para baixo, olhar para a frente.
  • Não grite, não corra e não faça movimentos bruscos.
  • Mantenha distância dos outros cavalos. Alguns podem chutar ou morder.
  • Siga o guia. Não saia do grupo ou da trilha.
  • Não use celular enquanto monta.
  • Avise o guia se estiver com medo, desconforto ou dor.
  • Nunca ande atrás de um cavalo sem que ele saiba que você está lá.

Cavalos são animais de presa e reagem ao susto. Um ruído, um movimento repentino ou um inseto podem fazê-los se assustar.

Como reconhecer bons cuidados com os animais

O bem-estar do cavalo importa para ele e para a sua segurança. Sinais positivos:

  • Cavalos com boa condição corporal, sem magreza excessiva.
  • Cascos cuidados e ferraduras em bom estado, quando usadas.
  • Selas e equipamentos bem ajustados, sem ferimentos no dorso.
  • Água e sombra disponíveis nas paradas.
  • Pausas regulares durante o percurso.
  • Limite de peso e de horas de trabalho, com revezamento de animais.
  • Trato calmo por parte dos tratadores, sem gritos ou chicotadas.

Sinais de alerta: cavalos muito magros, com feridas, mancando, sem água ou obrigados a trabalhar muito no calor. Se algo parecer errado, é melhor não participar. No Brasil, a lei de crimes ambientais (Lei nº 9.605/1998) prevê punição para maus-tratos a animais.

Cavalgada com crianças

  • Confirme a idade mínima e se há cavalos e selas adequados.
  • Prefira passeios curtos, em ritmo lento e com condutor a pé, quando existirem.
  • Capacete é indispensável.
  • Nunca deixe a criança sozinha com o cavalo.
  • Explique as regras antes de montar.

Veja também turismo rural com crianças.

Quem deve evitar

  • gestantes e pessoas com problemas de coluna, quadril ou joelho, sem orientação médica;
  • pessoas com medo intenso de cavalos ou com alergia a pelos, poeira ou feno;
  • quem está sob efeito de álcool.

Em caso de dúvida, consulte o seu médico.

Como se preparar fisicamente

Cavalgadas curtas exigem pouco preparo, mas as longas cansam pernas, quadris e costas. Antes de uma travessia, faça caminhadas e alongamentos. Durante a cavalgada, alterne posições e faça pausas. Beba água.

Riscos comuns

  • Quedas, por susto do cavalo, terreno irregular ou mau equilíbrio.
  • Coices e mordidas, por aproximação inadequada.
  • Insolação e desidratação, em passeios longos.
  • Picadas de insetos e contato com carrapatos. Veja saúde e segurança no campo.
  • Contato com cercas de arame e galhos.

Em caso de queda com dor forte, tontura, perda de consciência ou suspeita de fratura, não se movimente, peça ajuda e ligue para o SAMU (192) ou os Bombeiros (193).

Quando ir

Manhãs e fins de tarde são mais agradáveis, principalmente no verão. Depois de chuva forte, trilhas ficam escorregadias e rios sobem. Consulte o guia da melhor época para turismo rural e verifique a previsão do tempo.

Onde fazer

Muitas fazendas e hotéis-fazenda oferecem cavalgada como atividade incluída ou à parte. Veja o que inclui a diária de uma fazenda-hotel e o que fazer em uma fazenda. No Pantanal, a cavalgada é uma forma tradicional de percorrer a paisagem. Veja viagem ao Pantanal.

O que levar

  • calça comprida e calçado fechado;
  • boné ou capacete;
  • protetor solar e repelente;
  • água;
  • capa de chuva;
  • uma troca de roupa;
  • câmera protegida em bolsa fechada.

Veja também o que levar para a fazenda.

Perguntas frequentes

Preciso saber montar?

Não. Muitos passeios são feitos para iniciantes, com cavalos calmos e guia.

Qual é a idade mínima?

Varia com a operadora e o passeio. Pergunte antes.

Existe limite de peso?

Muitas operadoras têm limite, para proteger o animal. Pergunte.

Posso usar tênis?

Tênis com solado liso pode servir para passeios curtos. Botas ou sapatos com pequeno salto são mais seguros.

É perigoso?

Toda atividade com animais tem riscos. Com orientação, equipamento e cavalo adequado, eles diminuem.

Conclusão

A cavalgada é uma experiência de campo que combina paisagem, calma e conexão com o animal. Escolha uma operadora que cuide bem dos cavalos e das pessoas, vista-se de forma adequada, use capacete e siga as orientações do guia.

Antes de reservar, confirme valores, regras e condições diretamente com a operadora. Essas informações mudam com frequência.

Fontes

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