Tirolesa e arvorismo viraram atração comum em hotéis-fazenda, parques rurais e circuitos de turismo do interior. O boletim de turismo rural do Ministério do Turismo cita tirolesa entre as atrações do Circuito Terras Altas, em Cariacica (ES), ao lado de trilhas, piscinas e corredeiras, e o site oficial de Socorro (SP) lista uma tirolesa de voo duplo entre as atividades de aventura do município.
As duas atividades parecem simples, porque o participante fica preso a um cabo o tempo todo. A segurança, porém, depende quase inteiramente da operação: instalação, inspeção e quem está no comando. Este guia ajuda a enxergar isso.
Qual é a diferença
| Tirolesa | Arvorismo | |
|---|---|---|
| O que é | deslizar por um cabo de aço inclinado, preso por uma roldana, de um ponto alto a um mais baixo | percorrer um circuito suspenso entre árvores ou postes, passando por pontes, redes, troncos e cabos |
| Esforço | quase nenhum; a gravidade faz o trabalho | equilíbrio, força nos braços e coordenação |
| Duração | segundos a poucos minutos por linha | de 30 minutos a mais de uma hora por circuito |
| Medo principal | altura e velocidade | altura e cansaço no meio do percurso |
| Para quem | quase todo mundo dentro dos limites de peso e saúde | quem tem condicionamento razoável |
Muitos circuitos de arvorismo terminam com uma tirolesa, e muitas tirolesas exigem subir uma torre ou uma trilha até a plataforma de saída. Pergunte quantos degraus ou quanto de subida há antes.
O equipamento, peça por peça
Cadeirinha (baudrier). O cinto que envolve cintura e pernas. Deve ficar justo, sem folga para passar a mão fechada entre a fita e o corpo. Fivelas fechadas e com a ponta da fita passada de volta, conforme o modelo.
Capacete. Com jugular afivelada. Na tirolesa, protege de batidas na chegada; no arvorismo, de galhos e quedas no equipamento.
Talabartes e mosquetões. As fitas que ligam a cadeirinha ao cabo de segurança. No arvorismo, o sistema comum usa dois talabartes, para que você nunca fique desconectado ao trocar de cabo; muitos parques usam mosquetões que se travam um ao outro e impedem abrir os dois ao mesmo tempo.
Roldana (polia). Na tirolesa, é a peça que corre sobre o cabo. Fica presa à cadeirinha por um talabarte e um mosquetão.
Sistema de frenagem. Na chegada da tirolesa, algo precisa parar você: um freio automático, uma mola, um operador com freio manual ou um sistema de contrapeso. Pergunte qual é e o que você precisa fazer.
Luvas. Em algumas tirolesas, o participante usa luva para não encostar a mão no cabo. Siga a orientação; segurar o cabo com a mão nua pode cortar.
O que as normas cobrem
A ABNT tem duas normas para arvorismo, mantidas pelo comitê de turismo de aventura (CB-054):
- NBR 15508-1: requisitos das instalações físicas do parque de arvorismo;
- NBR 15508-2: requisitos de operação.
As técnicas de altura em geral aparecem nas normas de técnicas verticais (NBR 15501 e 15502), e a gestão da segurança da operadora, na NBR ISO 21101. A NBR ISO 21103 trata das informações que o participante deve receber antes de começar. Normas técnicas, em regra, são voluntárias, mas são a referência usada para avaliar se uma operação segue boas práticas.
O Código de Defesa do Consumidor vale de qualquer jeito. Pelo artigo 14, o fornecedor de serviços responde, independentemente de culpa, pelos danos causados por defeitos na prestação do serviço e por informações insuficientes ou inadequadas sobre riscos. Um termo de responsabilidade assinado não apaga essa obrigação.
O que perguntar ao parque
- Há limite de peso, altura e idade? (Cada parque define o seu, conforme o equipamento.)
- Quem fez o projeto e quando foi a última inspeção dos cabos e árvores?
- O sistema de segurança é contínuo, ou há momentos em que se fica desconectado?
- Quantos monitores acompanham cada grupo? Algum fica no chão para resgate?
- Como é o resgate de alguém que trava no meio do circuito ou da tirolesa?
- O que acontece em caso de chuva ou vento forte?
- Há seguro de acidentes pessoais incluído?
Se a resposta à pergunta 5 for vaga, desista. Resgate no alto precisa ser planejado e treinado.
Antes de subir
- Faça o briefing inteiro, mesmo que já tenha feito outro parque: cada sistema é diferente.
- Prenda o cabelo comprido e tire anéis, brincos grandes e o que estiver solto no bolso.
- Use roupa que cubra as coxas (a cadeirinha aperta) e tênis fechado.
- Avise sobre problema cardíaco, coluna, gravidez, labirintite ou medo intenso de altura.
- Não suba depois de beber.
- Se travar no meio, não tente se soltar: fique preso, avise e espere o monitor.
Com crianças
Muitos parques têm circuito infantil, mais baixo e curto, com monitor andando ao lado no chão. Na tirolesa, crianças pequenas às vezes descem em dupla com um adulto ou monitor, como em tirolesas de voo duplo. Confirme a idade e a altura mínimas antes de prometer a atividade, para evitar frustração. Ver turismo rural com crianças.
Onde costuma ter
Hotéis-fazenda com estrutura de lazer, parques e operadoras de aventura em cidades como Socorro, no interior paulista, e circuitos de turismo rural no Espírito Santo. Em hotel-fazenda, a tirolesa costuma ser cobrada à parte; ver o que inclui a diária. Outras atividades de aventura, com o mesmo raciocínio de checagem, estão em rafting no Brasil e atividades ao ar livre no interior.
Fontes
- ABNT/CB-054. Lista de normas técnicas de turismo de aventura (mar/2023), via Sebrae.
- Presidência da República. Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/1990, art. 14.
- Ministério do Turismo. Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo: Experiências do Turismo Rural, dez/2020 (Circuito Terras Altas, Cariacica).
- Prefeitura de Socorro. Atividades turísticas.




