Em 1994, Brotas, no interior paulista, ganhou sua primeira agência de turismo, que vendia boia-cross e trilhas até cachoeiras. Em 1996 veio o rafting no rio Jacaré-Pepira, e a cidade passou a se apresentar como Capital Nacional da Aventura. A história resume o que aconteceu em muitos municípios do interior: rios, morros e fazendas viraram produto de aventura em poucos anos, nem sempre com a mesma velocidade na segurança.

Para o Ministério do Turismo, as atividades de turismo de aventura são oferecidas comercialmente, têm caráter recreativo e envolvem riscos avaliados, controlados e assumidos. As três palavras importam: quem oferece avalia e controla; quem participa assume, sabendo o que está fazendo. Este guia ajuda a cumprir a sua parte.

Mapa de esforço e risco

AtividadeEsforço físicoExposição a riscoO que mais pesaGuia
Caminhada curta em fazendabaixobaixacalçado, sol, animais peçonhentostrilha em fazenda
Observação de avesbaixobaixahorário cedo, silêncioobservação de aves
Pesca em açude ou pesque-paguebaixobaixaanzol, margem, solpesca e pesque-pague
Cavalgadabaixo a médiomédiaqueda, animal assustadocavalgada
Banho de cachoeirabaixomédia a altacabeça d'água, pedra lisa, poço fundocomo visitar cachoeiras
Tirolesabaixomédiaequipamento e operaçãotirolesa e arvorismo
Arvorismomédiomédiaequilíbrio, força nos braçostirolesa e arvorismo
Cicloturismomédio a altomédiatrânsito, calor, mecânicacicloturismo
Raftingmédiomédia a altanível do rio, queda na águarafting no Brasil
Trilha longa ou travessiaaltomédia a altanavegação, clima, águacomo visitar parque nacional

"Exposição a risco" aqui é qualitativa e depende muito da operação: um rafting bem conduzido pode ser mais seguro do que um banho de cachoeira sem orientação depois de chuva.

O que existe de regra

Normas técnicas. A ABNT mantém, pelo comitê CB-054, um conjunto de 42 normas de turismo de aventura (lista de março de 2023), incluindo 17 normas internacionais ISO adotadas no Brasil. Algumas das mais úteis para o visitante:

  • NBR ISO 21101: sistema de gestão da segurança da operadora;
  • NBR ISO 21102: competências dos líderes e condutores;
  • NBR ISO 21103: informações que o participante deve receber antes da atividade;
  • NBR 15500: terminologia;
  • normas por atividade: caminhada (15505), cicloturismo (15509), turismo equestre (15507), arvorismo (15508), rafting (15370 e 16708), canionismo e cachoeirismo (15400 e 16760), técnicas verticais (15501 e 15502), quadriciclo (16707).

Normas técnicas são, em regra, voluntárias, mas servem de referência para avaliar se a empresa segue boas práticas.

Lei estadual. Santa Catarina tem lei específica, a nº 13.621/2005, para canoagem, rafting, boia-cross, rapel e escalada. Ela exige licença do poder público, registro no Corpo de Bombeiros, responsável técnico, seguro individual de acidentes, termo de responsabilidade, ficha do cliente com restrições médicas e, no rafting, um instrutor para cada cinco usuários.

Código de Defesa do Consumidor. Pelo artigo 14, o fornecedor de serviços responde, independentemente de culpa, por danos causados por defeitos na prestação do serviço e por informação insuficiente sobre riscos. O termo de responsabilidade que você assina registra que foi informado; não isenta a empresa de prestar um serviço seguro.

Cadastur. A Lei Geral do Turismo exige cadastro no Ministério do Turismo de vários prestadores, como meios de hospedagem e agências. Uma operadora de aventura cadastrada mostra que existe formalmente; a consulta é pública.

Checklist de cinco minutos

Antes de pagar, faça estas perguntas. Uma empresa séria responde sem rodeio.

  1. Quem vai conduzir? Nome, experiência e formação do guia. Existe um guia para quantas pessoas?
  2. Qual é a dificuldade de hoje? Não a do folheto: a do dia, com o clima e o nível do rio de hoje.
  3. Que equipamento vou usar? Colete, capacete, cadeirinha: dentro da validade e do meu tamanho?
  4. Como é o resgate? Há rádio ou celular com sinal? Veículo para remoção? Qual o hospital mais próximo?
  5. Há seguro? Qual cobertura, e posso ver a apólice?
  6. O que me impede de participar? Idade, peso, gravidez, problemas cardíacos, uso de remédios.
  7. E se chover? Remarca, devolve, muda o percurso?

Se o briefing não acontecer, se o equipamento não for ajustado ao seu corpo ou se alguém do grupo estiver bebendo, desista sem constrangimento.

Antes de sair

Coma algo leve, beba água e use protetor solar e repelente. Avise o guia sobre qualquer condição de saúde, alergia ou medo. Leve documento, carteirinha do plano de saúde e uma muda de roupa. A lista completa está em o que levar para a fazenda, e os riscos do campo (carrapato, cobra, calor) em saúde e segurança no campo.

Com crianças e idosos

Comece pelo lado esquerdo da tabela: trilha curta, pesca, cavalgada puxada pelo condutor. Pergunte a idade mínima de cada atividade, que é definida pela operadora conforme o equipamento e o percurso. Para idosos, o esforço importa mais que a idade: subidas, degraus até a plataforma e tempo em pé. Ver turismo rural com crianças e turismo rural para idosos.

Cuidado com o lugar

Ande só na trilha, não leve som alto, não alimente bichos, traga o lixo de volta e respeite a porteira fechada. Em propriedade particular, peça licença antes de entrar em rio ou cachoeira. O tema está em turismo responsável no campo.

Fontes