Em 2025, o Ministério da Pesca e Aquicultura emitiu mais de 370 mil licenças de pesca amadora e esportiva, o maior número da série iniciada em 2020. A maior parte desses pescadores não é profissional nem competidor: é gente que passa o fim de semana em uma represa, em um rio de fazenda ou na beira de um açude.

A regra muda bastante conforme o lugar. No rio, valem a licença federal, o defeso e os limites de captura. No pesque-pague, o peixe é de criação e as regras são as do estabelecimento. Este guia separa os dois casos.

Os dois tipos de pescaria

Pesca amadora e esportivaPesque-pague
Onderios, represas, lagos e martanques e açudes de criação, em propriedade particular
Peixesilvestre, protegido por normas de pescacriado para isso, como tilápia, tambaqui, pacu
Licençaexigida, com exceções (ver abaixo)regra do estabelecimento e do estado; pergunte
Defesovale a piracema da baciaespécies de cultivo, normalmente sem restrição
Pagamentotaxa anual da licençapor quilo pescado, por hora ou por pacote
Para quemquem tem equipamento e paciênciafamílias, crianças, iniciantes

A licença, segundo o Ministério da Pesca

A Lei nº 11.959/2009, a Lei da Pesca, define a pesca amadora e esportiva como atividade não comercial, voltada para o lazer, o turismo e o esporte, em que o peixe não é fonte de renda nem de subsistência. A cartilha do Ministério da Pesca e Aquicultura resume as regras:

CategoriaPara quemTaxa anual
Pesca desembarcadaquem pesca só da margem, de barrancos e trapichesR$ 20
Pesca embarcadaquem pesca com ou sem barcoR$ 60

A licença vale por um ano e é emitida pelo portal gov.br. São isentos da taxa aposentados, homens acima de 65 anos e mulheres acima de 60, desde que usem linha de mão, caniço simples ou caniço com molinete. E ficam dispensados do registro os pescadores que usam apenas linha de mão ou caniço simples, sem nenhuma finalidade comercial.

Alguns estados cobram licença própria ou complementar. Em Goiás, por exemplo, a licença estadual de pesca desembarcada custava R$ 25 em 2026; em Minas Gerais, o valor é fixado em Ufemg. Confira no órgão ambiental do estado onde vai pescar.

O que pode e o que não pode

Pode transportar: até 10 kg mais um exemplar na pesca em águas continentais (rios, lagos, represas) e até 15 kg mais um exemplar no mar.

Equipamentos permitidos: linha de mão, caniço simples, vara com molinete ou carretilha, isca natural ou artificial, puçá e alicate para contenção do peixe.

É proibido: vender o peixe pescado, usar espécies ornamentais como isca e transportar o pescado em postas, filés ou sem cabeça, porque isso impede a fiscalização de espécie e tamanho. Tamanhos mínimos e espécies proibidas variam por bacia e estado.

Piracema: quando o rio fecha

Na piracema, os peixes sobem os rios para se reproduzir, e a pesca de espécies nativas é proibida ou restrita. As datas são definidas por bacia e por estado:

EstadosPeríodo em 2025/2026
Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Tocantins1º de novembro a 28 de fevereiro
Mato Grosso, Goiás, Santa Catarinaa partir de 1º de outubro

No Paraná, a restrição valeu para rios, lagos, lagoas e reservatórios da bacia, e protegia espécies como dourado, pintado, jaú, lambari, mandi e piracanjuva. Espécies exóticas e híbridas, como tilápia, carpa e tucunaré (que não é nativo da bacia do Paraná), continuaram liberadas, dentro dos limites estaduais. Na temporada 2024/2025, o Instituto Água e Terra lavrou 40 autos de infração, somando R$ 127,4 mil em multas.

As datas de 2026/2027 dependem de portarias de cada estado; confirme antes de sair. O pesque-pague costuma ser a alternativa para quem viaja ao campo nesses meses.

Pesque-pague e açude de fazenda

Em hotéis-fazenda e pesqueiros, a pesca é em tanques de criação. A cobrança mais comum é por quilo do que você levar; alguns cobram entrada ou hora, e outros praticam pesque e solte. Antes de começar, pergunte:

  • se cobra por quilo, por hora ou ambos;
  • se o peixe pode ser devolvido ou se tudo o que for fisgado é pago;
  • se aluga vara e vende isca;
  • se limpa o peixe e se o restaurante prepara;
  • se exige alguma licença.

Em açude dentro de hotel-fazenda, a pesca às vezes está incluída na diária, como mostrado em o que inclui a diária. Para criança, é o lugar certo para começar: peixe abundante, margem plana e banheiro perto.

Pesque e solte sem matar o peixe

  • Use anzol sem farpa ou amasse a farpa com o alicate.
  • Molhe as mãos antes de tocar no peixe, para não tirar o muco que o protege.
  • Não aperte a barriga nem ponha os dedos nas brânquias.
  • Tire o peixe da água pelo menor tempo possível, só para a foto.
  • Se o anzol estiver muito fundo, corte a linha rente.
  • Devolva o peixe segurando-o na água até ele sair nadando.

Segurança na beira d'água

Barranco molhado escorrega, e anzol é a causa mais comum de pequenos acidentes. Em barco, colete salva-vidas é obrigatório, e álcool não combina com pilotagem. Em rios de serra, atenção à subida repentina do nível depois de chuva na cabeceira, a chamada cabeça d'água, explicada em como visitar cachoeiras. Picadas de insetos e cobras estão em saúde e segurança no campo.

A pesca também aparece entre as atividades de o que fazer em uma fazenda e no panorama de atividades ao ar livre no interior.

Perguntas frequentes

Preciso de licença para pescar com linha de mão?

Não. Segundo o Ministério da Pesca, quem usa apenas linha de mão ou caniço simples, sem finalidade comercial, está dispensado do registro e da licença.

Turista estrangeiro pode tirar licença?

Sim. Desde novembro de 2025, um brasileiro pode pedir a licença em nome de um estrangeiro sem CPF pelo gov.br, informando os dados do passaporte. O estrangeiro continua responsável pelas regras.

Posso levar o peixe limpo, em filé?

Não na pesca amadora em águas públicas. A cartilha proíbe transportar o pescado em postas, filés ou sem cabeça, para permitir a fiscalização. No pesque-pague, o peixe comprado do estabelecimento segue outra lógica: peça nota ou comprovante.

Posso vender o que pesquei?

Não. A pesca amadora é, por definição, não comercial, e a venda do pescado é proibida.

Fontes