Brotas, no interior de São Paulo, começou a oferecer rafting no rio Jacaré-Pepira em 1996. Dois anos antes, a primeira agência da cidade vendia boia-cross e trilhas até cachoeiras. Hoje o município se apresenta como Capital Nacional da Aventura, e o rafting virou o produto que puxa todos os outros.
Por trás de uma descida de duas horas há regras que o cliente raramente vê: normas técnicas da ABNT para o guia e para o produto e, em Santa Catarina, uma lei estadual que lista equipamentos e proporção de instrutores. Conhecer essas regras é o jeito mais simples de separar uma operação séria de uma improvisada.
Como é uma descida
- Cadastro e termo. Você preenche uma ficha com dados, contato de emergência e restrições médicas, e assina um termo de ciência de riscos.
- Equipamento. Colete salva-vidas ajustado ao seu peso, capacete com jugular, remo. Calçado preso ao pé.
- Briefing em terra. O guia explica comandos ("frente", "trás", "piso"), como segurar o remo, o que fazer se cair e como ser resgatado. É a parte mais importante do dia.
- Descida. Um grupo pequeno em cada bote, com o guia atrás comandando. Trechos de corredeira se alternam com remansos.
- Saída do rio. Em geral, a operadora leva o grupo de volta à base de carro.
As classes de corredeira
Operadoras usam uma escala internacional de I a VI para classificar trechos de rio:
| Classe | Como é | Para quem |
|---|---|---|
| I e II | água corrente, ondas pequenas, passagens óbvias | iniciantes, famílias |
| III | ondas maiores, manobras necessárias, risco moderado de queda | quem tem boa saúde e segue comandos |
| IV | corredeiras fortes e contínuas, manobras precisas | quem já remou antes |
| V e VI | extremamente difíceis; a VI é considerada no limite do navegável | não são produto turístico |
O nível do rio muda tudo: o mesmo trecho pode ser classe II na seca e III ou IV depois de chuva. Pergunte a classe do dia, não a do folheto. A norma ABNT NBR ISO 21103 trata das informações que o participante deve receber antes da atividade, e a lei catarinense exige que o grau de dificuldade dos percursos fique afixado na base.
Onde fazer
Brotas (SP). No rio Jacaré-Pepira, a 235 km da capital paulista. A cidade também tem cachoeiras como a da Roseira e a Cassorova, além do Parque dos Saltos. Combina com hospedagem em sítio ou fazenda da região.
Socorro (SP). No circuito das águas paulista, a prefeitura lista operadoras de rafting entre os 15 estabelecimentos de aventura do município, ao lado de tirolesa, arvorismo, cavalgada e balonismo. No mesmo site, duas empresas de aventura aparecem marcadas como acessíveis, um ponto a perguntar para quem viaja com pessoa com deficiência.
Outros estados. Há operações de rafting em vários estados. Santa Catarina é um caso à parte, porque tem lei estadual específica para a atividade, descrita abaixo.
O panorama das atividades de aventura no campo está em atividades ao ar livre no interior.
O que as normas exigem
A ABNT tem duas normas específicas de rafting, mantidas pelo comitê de turismo de aventura (CB-054):
- NBR 15370: competências do líder de rafting, ou seja, o que o guia precisa saber fazer;
- NBR 16708: requisitos para o produto rafting, ou seja, como a operação deve funcionar.
Elas se somam à NBR ISO 21101, de sistema de gestão da segurança no turismo de aventura, e à NBR ISO 21103, sobre as informações que o participante deve receber antes da atividade.
Em Santa Catarina, a Lei nº 13.621/2005 vai além e transforma vários itens em obrigação legal. A operadora precisa de licença do poder público, registro no Corpo de Bombeiros, responsável técnico e seguro individual de acidentes para cada cliente, com cópia da apólice. No rafting, exige colete salva-vidas dentro da validade, adequado ao peso, aprovado pelo Inmetro ou pela Marinha, e capacete com proteção para as orelhas e jugular. Também determina um instrutor para cada grupo de cinco usuários, comunicação por rádio ou celular com a base, rotas de fuga definidas, veículo para remoção de emergência, treinamento antes da descida e proibição de bebida alcoólica durante a atividade.
Checklist antes de entrar no bote
- A empresa tem CNPJ e endereço fixo, e aparece no Cadastur?
- O guia se apresentou e explicou a classe do trecho no dia?
- O colete foi ajustado ao seu corpo e não sobe acima das orelhas quando puxado pelos ombros?
- O capacete tem jugular e está afivelado?
- Houve briefing em terra, com simulação de queda e resgate?
- Há caiaque ou bote de segurança acompanhando?
- Você recebeu informação sobre seguro?
- Ninguém do grupo bebeu?
Se a resposta for não para mais de um item, desista sem constrangimento. A lógica vale para outras atividades, como tirolesa e arvorismo.
Se você cair do bote
Mantenha a calma e deixe o colete trabalhar. Fique de barriga para cima, pés à frente e na superfície, para amortecer pedras com a sola. Não tente ficar em pé na corredeira: o pé pode prender entre pedras. Procure o guia, segure o remo e espere o resgate, que é treinado justamente para isso.
O que levar
Roupa de banho por baixo de roupa leve, tênis velho ou sandália presa no calcanhar, protetor solar resistente à água, muda de roupa seca e toalha para depois. Óculos só com cordinha. Celular e documentos ficam na base. Os cuidados com rio e cabeça d'água estão em como visitar cachoeiras.
Perguntas frequentes
Preciso saber nadar?
A maioria das operadoras não exige, porque o colete mantém a pessoa na superfície, mas saber nadar ajuda a manter a calma em caso de queda. Avise o guia se você não nada.
Existe idade mínima?
A lei catarinense não fixa idade; quem define é a operadora, conforme a classe do rio. Em trechos de classe I e II, há passeios para crianças maiores; em classe III, a idade mínima costuma ser mais alta. Pergunte antes de reservar, e veja turismo rural com crianças.
Rafting com chuva acontece?
Chuva fraca, sim. Chuva forte na cabeceira pode subir o nível do rio e mudar a classe do trecho; nesse caso, a operadora séria cancela ou muda o percurso.
Fontes
- Wikipédia. Brotas (São Paulo) (histórico do rafting e do turismo de aventura).
- Prefeitura de Socorro. Atividades turísticas.
- ABNT/CB-054. Lista de normas técnicas de turismo de aventura (mar/2023), via Sebrae.
- Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Lei nº 13.621/2005.




