Em 29 de setembro de 2026, a renda renascença de Poção, no agreste de Pernambuco, entrou na lista de Indicações de Procedência do INPI. Foi o registro mais recente de uma lista que só cresce: rendas, bordados, cerâmicas, redes, peças de capim e de fibra vegetal feitas em comunidades rurais e pequenas cidades do interior.

Para quem viaja, essas indicações geográficas funcionam como um mapa de onde o artesanato tradicional ainda é feito em quantidade, por associações organizadas. Abaixo, as peças com selo por região e um guia para comprar bem.

Artesanato com selo de origem, por região

Datas de registro conforme a lista de Indicações de Procedência do INPI atualizada em 29/09/2026.

Nordeste

PeçaOndeRegistro
Opala e joias de opalaPedro II (PI)2012
Têxteis de algodão naturalmente coloridoParaíba2012
Renda de agulha em lacê (renda irlandesa)Divina Pastora (SE)2012
Renda renascençaCariri Paraibano (PB)—
Bordado filéLagoas Mundaú-Manguaba (AL)2016
BordadoCaicó (RN)2020
RedesJaguaruana (CE)2021
Peças em renda filéJaguaribe (CE)2024
Peças de cerâmicaAlegria (CE)2025
Renda de bilroSaubara (BA)2025
Renda de bilroAquiraz (CE)2025
Peças de fibra de croáPindoguaba (CE)2025
Artesanato de barroSantana do São Francisco (SE)2026
CerâmicaRosário (MA)2026
Renda renascençaPoção (PE)2026

O Nordeste concentra a maior parte do artesanato com selo, sobretudo rendas e bordados, ofícios passados entre mulheres de uma mesma comunidade.

Sudeste

PeçaOndeRegistro
Panelas de barroGoiabeiras, Vitória (ES)2011
Peças artesanais em estanhoSão João del-Rei (MG)2012
Cerâmica artísticaPorto Ferreira (SP)2020
Têxteis de tear manualResende Costa (MG)2021
Figuras modeladas em argilaTaubaté (SP)2026

As paneleiras de Goiabeiras têm também o ofício registrado como patrimônio cultural pelo Iphan. As figuras de Taubaté são as dos figureiros, que modelam presépios e personagens do cotidiano em barro.

Centro-Oeste e Norte

PeçaOndeRegistro
Joias artesanais em prataPirenópolis (GO)2019
Artesanato em capim douradoJalapão (TO)2011
Panela de barroComunidade indígena Raposa (RR)2024

O capim dourado do Jalapão foi a primeira IG de artesanato do Norte. A panela de barro de Raposa é feita por uma associação de produtoras indígenas, segundo o registro no INPI.

Como reconhecer uma peça feita à mão

  • Pequenas diferenças entre peças iguais. Duas rendas do mesmo padrão nunca são idênticas.
  • Acabamento do avesso. Em bordados e tecidos, o avesso mostra o cuidado do trabalho.
  • Material local. Capim dourado, barro de beira de rio, algodão colorido, fibra de croá: o material conta de onde a peça vem.
  • Quem vende sabe explicar. Artesão ou associação conhecem o tempo que cada peça leva, o nome dos pontos e a origem da técnica.
  • Selo ou etiqueta da associação. Nas regiões com IG, as associações costumam identificar as peças autorizadas a usar o nome geográfico.

A Carteira Nacional do Artesão

A profissão é regulada pela Lei nº 13.180/2015, que em 2026 passou a se chamar Estatuto da Artesã e do Artesão, pela redação da Lei nº 15.419/2026. A lei prevê a Carteira Nacional da Artesã e do Artesão, válida em todo o país por três anos e renovável mediante comprovação das contribuições à Previdência.

Para o comprador, a carteira é um sinal de que a pessoa está cadastrada como artesã no sistema oficial. Muitos artesãos rurais, porém, vendem sem cadastro, e isso não diminui a peça.

Onde e como comprar

Na casa ou no ateliê de quem faz. É onde o dinheiro fica inteiro com o artesão e onde se aprende mais. Pergunte antes se recebem visitas.

Nas sedes de associações e cooperativas. Nas regiões com IG, a associação costuma ter loja ou ponto de venda.

Em feiras e festas. Pavilhões de agricultura familiar em feiras agropecuárias, como o da Expointer, reúnem artesanato. Na edição de 2026 eram 74 bancas, incluindo oito indígenas e três quilombolas. Veja feiras agropecuárias.

Sobre preço: peça feita à mão leva horas ou dias. Negociar faz parte em algumas feiras, mas evite pechinchar o trabalho de quem vive disso. Se achar caro, pergunte quanto tempo a peça levou.

Transporte e cuidados

  • Cerâmica e barro: embrulhe em jornal e roupas, e leve na bagagem de mão quando possível.
  • Rendas e bordados: guarde dobradas em papel de seda, longe de umidade.
  • Capim dourado: não molhe e evite sol direto prolongado.
  • Peças grandes: muitas associações enviam pelo correio. Peça nota ou recibo.

Respeito às comunidades

Em comunidades indígenas e quilombolas, a produção pode ter regras próprias sobre visitas, fotos e venda. Siga as orientações locais e compre de quem a comunidade indica. Mais sobre isso em turismo quilombola e turismo de base comunitária. Para juntar artesanato e outras tradições do interior, veja cultura caipira.

Fontes