Urubici fica na Serra Catarinense, a 170 km de Florianópolis, e é conhecida pelo frio, pelos mirantes do Parque Nacional de São Joaquim e pelas estradas de serra. Mas a cidade também é agrícola: a prefeitura a apresenta como principal produtora de hortaliças de Santa Catarina, com maçã, mel, queijos e embutidos. Esse lado rural aparece nas trutas servidas à beira dos rios, nas feiras e nos sítios que recebem hóspedes.

Abaixo, o que fazer organizado em três frentes: o parque nacional, as estradas e cachoeiras, e o campo.

No Parque Nacional de São Joaquim

Morro da Igreja e Pedra Furada

O Morro da Igreja, com 1.822 metros de altitude, é o ponto mais conhecido do parque e fica a 29 km do centro de Urubici, cerca de 50 minutos de carro. Do mirante se vê a Pedra Furada, uma janela natural na rocha.

A visita é gratuita, mas exige agendamento prévio. Segundo o ICMBio, o formulário é preenchido por veículo, para uma data e um turno, e as vagas abrem cerca de uma semana antes. O ingresso agendado precisa ser retirado na sede do parque, no bairro Esquina, em Urubici, antes de subir. Não são permitidos animais de estimação nem drones.

O mirante fecha com frequência por neblina e mau tempo, e a visita pode ser cancelada no dia. Tenha um plano B.

Trilhas

O ICMBio lista quatro percursos ligados ao Morro da Igreja: o mirante da Pedra Furada, a Trilha da Pedra Furada, a Trilha das Nascentes do Rio Pelotas e a travessia Morro da Igreja–Santa Bárbara. Na Trilha da Pedra Furada, contratar condutor é obrigatório. Nos outros percursos, é opcional, e o parque divulga a lista de condutores autorizados.

O parque tem 49.800 hectares de Mata Atlântica, com campos de altitude e matas de araucária. Foi criado em 1961, e seus limites atuais foram definidos pela Lei 13.273, de 2016. O post sobre como visitar um parque nacional explica o sistema de agendamento usado em outras unidades.

Estradas, mirantes e cachoeiras

Serra do Corvo Branco

A serra fica a cerca de 30 km do centro, na SC-370, que liga Urubici a Grão-Pará. A estrada atravessa um corte estreito entre paredões de rocha e desce em curvas fechadas. Há trechos de terra e obras de pavimentação em andamento. Confira as condições antes de ir e evite a descida com chuva ou neblina.

Para quem vai de carro baixo ou nunca dirigiu em serra de terra, vale ler como dirigir em estrada de terra antes da viagem.

Cascata Véu de Noiva

Fica no caminho para o Morro da Igreja e costuma entrar no mesmo passeio. Há restaurante especializado em truta nas proximidades.

Outras paradas

O interior do município tem cachoeiras, cânions e mirantes em propriedades particulares, alguns com cobrança de entrada. As regras mudam de um lugar para outro: pergunte na pousada quais estão abertos e se precisam de reserva.

No campo

Trutas

A água fria e bem oxigenada dos rios da serra favorece a criação de trutas. Vários restaurantes e pousadas de Urubici ficam em propriedades rurais à beira de rios e servem o peixe criado ali mesmo. Se a ideia é pescar, pergunte antes se a propriedade oferece pesque-pague e veja as regras gerais em pesca esportiva e pesque-pague.

Hortaliças, maçã e produtos coloniais

Em boa parte do ano, as lavouras de hortaliças ocupam os vales em volta da cidade. Nas estradas rurais, pequenas bancas e agroindústrias vendem queijo, salame, mel, geleias e conservas. A maçã é colhida principalmente no fim do verão e no começo do outono, como no restante do Planalto Serrano.

Hospedagem rural

Urubici é um dos municípios com mais propriedades na Acolhida na Colônia, associação de agricultores familiares fundada em 1999. O site da Acolhida listava 11 propriedades no município em outubro de 2026, entre pousadas coloniais, quartos, cabanas e camping. A proposta é hospedar o visitante na casa ou no sítio da família, com comida feita com produtos da propriedade, muitos de cultivo orgânico.

O site da associação informa uma média de cerca de R$ 250 com pensão completa (consulta em outubro de 2026), mas o valor e a forma de cobrança variam conforme a propriedade. Nossa pauta sobre a Acolhida na Colônia explica como funciona a rede.

Três dias em Urubici

Dia 1. Chegada, retirada do ingresso agendado na sede do parque e fim de tarde num mirante próximo à cidade. Jantar com truta.

Dia 2. Subida ao Morro da Igreja no turno agendado, com parada na Cascata Véu de Noiva na volta. À tarde, estradas rurais, bancas de produtores e compras de queijo, mel e conservas.

Dia 3. Serra do Corvo Branco pela manhã, se o tempo estiver seco. Se chover, troque por um almoço longo numa propriedade da Acolhida e uma caminhada pelos vales de lavoura.

Deixe o Morro da Igreja para o dia com melhor previsão. Se o agendamento cair num dia de neblina, tente remarcar.

Como chegar

Saindo deDistância até UrubiciTempo de carro
São Joaquim (SC)60 km1h
Lages (SC)111 km2h
Florianópolis (SC)170 km3h10
Porto Alegre (RS)428 km6h
Curitiba (PR)456 km7h

Distâncias e tempos pelo OpenStreetMap/OSRM, sem paradas. De Florianópolis, o caminho mais usado é a BR-282 até Bom Retiro e depois a SC-110. Combine Urubici com São Joaquim e com o turismo rural de Lages para montar um roteiro pelo Planalto Serrano.

Quando ir

Inverno (junho a agosto). É a alta temporada, atrás de geada e, com sorte, neve. Os mirantes lotam e as pousadas também. A imprensa costuma citar que o Morro da Igreja registrou −17,8 °C em junho de 1996, um dos números mais frios já associados ao Brasil.

Primavera (setembro a novembro). Menos gente, campos verdes e flores. Dias ainda frescos e noites frias.

Verão (dezembro a fevereiro). Calor moderado de dia, chuvas de fim de tarde e mais neblina nos mirantes. Bom para cachoeiras.

Outono (março a maio). Céu mais limpo, boa visibilidade e época de colheita da maçã na serra.

Em qualquer estação, leve casaco. Mesmo no verão, as noites podem esfriar bastante. O checklist de o que levar para a fazenda ajuda a montar a mala.

Fontes