Em 4 de dezembro de 2024, os modos de fazer o queijo Minas artesanal entraram na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco. A decisão saiu em Assunção, no Paraguai, durante a 19ª sessão do comitê da Unesco. O Iphan já reconhecia esse saber como patrimônio brasileiro desde 2008.
O título chamou atenção para um tipo de viagem que já existia: ir até a fazenda, ver a ordenha e a prensa, provar o queijo em diferentes tempos de cura e voltar com uma peça inteira no carro. Este guia mostra onde estão os queijos com selo de origem e como organizar a visita.
Onde estão os queijos com selo de origem
Segundo reportagem do Diário do Comércio sobre o título da Unesco, 15 regiões de Minas Gerais produzem queijos artesanais, e 10 delas fazem o tipo Minas artesanal. Fora de Minas, a lista do INPI mostra que o queijo de origem se espalhou pelo país.
| Queijo | Região | Estado | Registro no INPI |
|---|---|---|---|
| Queijo Minas Artesanal do Serro | Serro | MG | IP, 2011 |
| Canastra | Serra da Canastra | MG | IP, 2012 |
| Queijo do Cerrado | Cerrado mineiro | MG | IP, 2023 |
| Colônia Witmarsum | Palmeira | PR | IP, 2018 |
| Queijo Artesanal Serrano | Campos de Cima da Serra | SC e RS | DO, 2020 |
| Queijo do Marajó | Ilha do Marajó | PA | IP, 2021 |
| Queijo de Autazes | Autazes | AM | IP |
| Queijo Colonial | Sudoeste do Paraná | PR | IP, 2025 |
O queijo serrano é o único da lista com Denominação de Origem. A área delimitada soma 34.372 km² em 18 municípios de Santa Catarina e 16 do Rio Grande do Sul, nos campos de altitude.
Passo a passo para visitar uma queijaria
1. Escolha a base. Na Canastra, cidades como São Roque de Minas e Medeiros concentram queijarias e pousadas. No Serro, o centro histórico serve de base. Para os campos de cima da serra, veja o roteiro pela Serra Gaúcha e a região de São Joaquim e Lages.
2. Agende. Queijaria familiar não é loja. Quem recebe costuma ser quem ordenha de madrugada e vira os queijos à tarde. Mande mensagem dias antes, confirme o horário e pergunte se a visita é cobrada.
3. Chegue cedo, se quiser ver o queijo sendo feito. A produção começa logo depois da ordenha da manhã. À tarde, o que se vê é a sala de cura, com as peças nas prateleiras de madeira.
4. Prove em sequência. Peça para provar o mesmo queijo em idades diferentes: fresco, meia-cura e curado. É a forma mais rápida de entender o que o tempo faz com a casca, a textura e o sal.
5. Pergunte pelo registro. Produtores com inspeção sanitária costumam ter o número na embalagem ou na parede da queijaria. Queijos com o Selo Arte, criado pela Lei nº 13.680/2018, podem ser vendidos em todo o país.
6. Compre direto. O preço na porta da fazenda costuma remunerar melhor quem faz. Leve dinheiro ou confirme se aceitam Pix, porque o sinal de celular falha em muitas estradas de terra.
O que observar na sala de cura
A sala de cura é onde o queijo passa os dias ou meses depois de prensado. Repare na madeira das prateleiras, na ventilação e em como as peças são viradas e limpas. Pergunte quanto tempo cada lote fica ali e por que o produtor escolhe esse tempo.
A casca conta a história da peça. Uma casca fina e clara indica queijo mais novo, de massa macia. Uma casca mais grossa e amarelada, às vezes com manchas, aparece nos queijos curados por mais tempo, de sabor mais forte. Se houver queijos de diferentes estações, peça para comparar: o pasto da seca e o das chuvas mudam o leite.
Como trazer o queijo para casa
- Prefira peças inteiras. Cortado, o queijo resseca e perde a casca protetora.
- Use bolsa térmica ou caixa de isopor no carro, longe do sol.
- Queijos curados aguentam melhor a viagem do que os frescos.
- Em casa, guarde na parte menos fria da geladeira, embrulhado em papel manteiga, não em plástico.
- Peça ao produtor a orientação de consumo. Ele sabe quanto tempo cada peça ainda vai maturar.
O que provar junto
O queijo artesanal combina com o que a própria região produz. Na Canastra, com o café local, que tem Denominação de Origem desde 2023. Na Serra Gaúcha e nos campos de altitude, com vinho e pinhão. No Marajó, com a mesa de búfalo e o peixe de rio. Ideias de roteiro em gastronomia rural e em comida de fazenda.
Perguntas frequentes
O título da Unesco vale para qualquer queijo de Minas?
Não. O reconhecimento é dos modos de fazer o queijo Minas artesanal, ligados às regiões tradicionais e ao leite cru. Queijos industriais vendidos como "tipo minas" não entram nesse reconhecimento.
Toda queijaria aceita visitante?
Não. Muitas são casas de família sem estrutura para receber grupos. Procure as que divulgam visitação ou peça indicação à secretaria de turismo da cidade. Combinar antes evita chegar na hora em que ninguém pode atender.
Qual a diferença entre Indicação de Procedência e Denominação de Origem?
A IP reconhece que a região ficou conhecida pelo produto. A DO exige que as características do queijo se devam ao meio geográfico, como acontece com o queijo serrano dos campos de altitude.
Para incluir ordenha e outras vivências na mesma viagem, veja ordenha e vivências com animais e o que fazer na Serra da Canastra.
Fontes
- Diário do Comércio. Modos de fazer do queijo Minas artesanal recebem título da Unesco (4/12/2024).
- INPI. Lista das Indicações de Procedência reconhecidas, atualizada em 29/09/2026.
- INPI. Lista das Denominações de Origem reconhecidas, atualizada em 23/06/2026.
- Presidência da República. Lei nº 13.680/2018 (Selo Arte).




