A Serra Gaúcha concentra sete das indicações geográficas de vinho do Brasil em um raio de pouco mais de uma hora de carro a partir de Bento Gonçalves. É isso que torna a região tão prática para uma viagem rural: dá para dormir sempre no mesmo lugar e, a cada dia, visitar uma colônia diferente, com um vinho, uma paisagem e uma comida próprios.

Bento fica a 122 km de Porto Alegre, cerca de duas horas de estrada. Este roteiro usa a cidade como base e soma cinco dias de passeios curtos.

As colônias e seus selos

As famílias italianas começaram a chegar em 1875 à região onde hoje estão Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul. Cada antiga colônia desenvolveu uma especialidade, e várias delas viraram indicação geográfica, segundo a Embrapa Uva e Vinho.

Indicação geográficaMunicípio principalDistância de BentoDestaque
Vale dos Vinhedos (IP 2002, DO 2012)Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo0 a 20 kmprimeira IG e primeira DO de vinho do país
Pinto Bandeira (IP 2010) e Altos de Pinto Bandeira (DO)Pinto Bandeira19 kmespumantes
Altos Montes (IP 2012)Flores da Cunha e Nova Pádua60 kmvinhos de altitude, paisagem de vales
Monte Belo (IP 2013)Monte Belo do Sul20 kmcolônia pequena, cantinas familiares
Farroupilha (IP 2015)Farroupilha24 kmmoscatéis e espumantes moscatel

Distâncias rodoviárias calculadas no OpenStreetMap em outubro de 2026.

Dia 1 — Vale dos Vinhedos

O Vale dos Vinhedos fica entre Bento, Garibaldi e Monte Belo do Sul, ao longo da estrada que corta os vinhedos. Há de grandes vinícolas com loja e restaurante a cantinas de família que abrem a sala de degustação só com reserva.

Para um primeiro dia, combine uma vinícola grande, onde se entende o processo de elaboração, com uma pequena, onde quem atende costuma ser da família. Almoce no próprio vale e deixe a tarde livre. Mais sobre como funcionam as visitas em turismo do vinho no Brasil.

Dia 2 — Caminhos de Pedra

O roteiro Caminhos de Pedra foi organizado em 1992 por descendentes dos imigrantes vênetos, no distrito de São Pedro, em Bento Gonçalves. São 12 km de estrada com casas de pedra e madeira do século 19, e cerca de 30 pontos de visitação abertos, segundo o site oficial: cantinas, queijaria, produção de cuca, conservas, erva-mate, tecelagem, pousadas e um parque de esculturas.

O site do roteiro informa 482.120 visitantes em 2025, o maior número da sua história. Por isso, vá cedo em fins de semana e feriados. Escolha quatro ou cinco paradas e almoce em um dos restaurantes de comida colonial do caminho.

Dia 3 — Pinto Bandeira e Farroupilha

Pinto Bandeira, a 19 km de Bento, é o endereço dos espumantes: tem a IP desde 2010 e a DO Altos de Pinto Bandeira, segundo a Embrapa. A estrada até lá passa por vinhedos em encosta e mirantes do vale do rio das Antas.

À tarde, siga para Farroupilha, cuja IP é ligada aos moscatéis. A cidade também guarda o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, um dos centros de romaria da serra.

Dia 4 — Antônio Prado e Flores da Cunha

Antônio Prado, a 77 km de Bento, tem um conjunto de casas de madeira da imigração italiana tombado pelo Iphan. É a cidade mais preservada da serra nesse aspecto, e o centro inteiro dá para fazer a pé.

Na volta, pare em Flores da Cunha, na região da IP Altos Montes. A cidade é uma das maiores produtoras de vinho do estado e tem cantinas abertas em estradas do interior.

Dia 5 — Garibaldi e volta

Garibaldi, a 13 km de Bento, é associada ao espumante e tem um centro histórico pequeno. É uma boa última parada antes de voltar a Porto Alegre, sem pegar estrada longa no último dia.

Quando ir

PeríodoO que acontecePara quem
Janeiro a marçovindima: colheita, pisa da uva e almoços temáticos em muitas propriedadesquem quer ver o vinhedo em produção
Abril a junhofolhagem amarela nos parreirais, menos gentecasais, quem quer tranquilidade
Julho e agostofrio, lareira e temporada de inverno em Caminhos de Pedraquem gosta de vinho tinto e sopa
Setembro a dezembrobrotação e floração da videiraquem quer paisagem verde e preços mais baixos

Na vindima, as hospedagens enchem nos fins de semana e muitas atividades pedem agendamento. As festas ligadas à uva estão em festas da colheita, e o comparativo com outras regiões em melhor época para turismo rural.

O que comer

A mesa da serra é a da colônia italiana: sopa de capeletti, galeto al primo canto, polenta frita e brustolada, salame, queijo colonial e cuca. O café colonial, com dezenas de itens doces e salgados, é uma refeição por si só. Os fundamentos dessa cozinha estão em gastronomia rural e em comida de fazenda.

Onde ficar e como circular

Bento concentra a maior parte dos hotéis. Quem prefere o campo encontra pousadas dentro do Vale dos Vinhedos e em Caminhos de Pedra. Compare o que está incluído na diária e se há transfer para as vinícolas, como explicado em hospedagem rural.

Degustação e direção não combinam, e a Lei Seca vale nas estradas do interior. Contrate motorista ou passeio organizado nos dias de vinícola. Na serra, o frio chega cedo: leve agasalho mesmo em março. Se for com crianças, veja turismo rural com crianças.

Fontes