A Estrada Real tem mais de 1.630 km, segundo o instituto que administra a rota, e ninguém faz tudo de uma vez. O trecho que melhor resume o lado rural de Minas é o Caminho dos Diamantes: 395 km entre Diamantina e Ouro Preto, com 73,5% em estrada de terra, vilarejos de garimpo, queijo do Serro e algumas das cachoeiras mais altas do estado.

Abaixo está um roteiro de seis dias de carro, com as distâncias entre as paradas e o que vale a pena em cada uma. No fim, um resumo dos outros três caminhos para quem quer voltar outra vez.

Os quatro caminhos, em uma tabela

CaminhoLigaExtensãoPerfil
Caminho VelhoOuro Preto a Paraty (RJ)cerca de 710 kmo mais antigo; cruza o Sul de Minas e a Mantiqueira
Caminho NovoOuro Preto ao Rio de Janeirocerca de 515 kmaberto como rota mais curta ao porto do Rio
Caminho dos DiamantesDiamantina a Ouro Preto395 kmvilas de garimpo, Serra do Espinhaço, muita terra
Caminho do SabarabuçuCocais (Barão de Cocais) a Glaura (Ouro Preto)cerca de 160 kmvariante pelo entorno de Sabará e Caeté

As extensões dos caminhos Velho, Novo e Diamantes são do Instituto Estrada Real. A do Sabarabuçu aparece em guias de viagem e relatos de expedição.

Antes de sair

Terra e asfalto. Segundo a planilha do instituto, o Caminho dos Diamantes tem 105,9 km asfaltados, 289 km de terra e 2 km de trilha. O trecho entre Santa Rita Durão e Mariana está fechado desde o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, e o desvio recomendado para carros é pela MG-129.

Sombra e subidas. O instituto alerta que entre Diamantina e Bom Jesus do Amparo há pouca sombra, o que pesa para quem vai de bicicleta ou a pé. No sentido Ouro Preto–Diamantina as subidas são mais longas.

Carro. Carro de passeio faz a maior parte do percurso na seca, com calma. Na chuva, alguns trechos de terra viram lama. As dicas de direção em estrada de terra valem aqui do primeiro ao último dia.

Passaporte. O Passaporte Estrada Real é gratuito e individual: você faz o cadastro no site do instituto e retira o documento em um ponto credenciado, levando 1 kg de alimento não perecível. Os carimbos colhidos nas cidades dão direito a certificado ao fim de cada caminho.

O roteiro, dia a dia

As distâncias abaixo são pelo caminho mais rápido de carro, calculado no OpenStreetMap em outubro de 2026. O traçado oficial da Estrada Real às vezes segue por terra e é mais longo.

Dia 1 — chegada a Diamantina

Diamantina fica a 296 km de Belo Horizonte, cerca de quatro horas de estrada. O centro histórico é Patrimônio Mundial da Unesco desde 1999. Chegue a tempo de andar pelo centro no fim da tarde e carimbe o passaporte no ponto oficial.

Dia 2 — São Gonçalo do Rio das Pedras e Milho Verde (45 km)

As duas vilas ficam entre Diamantina e o Serro, no alto do Espinhaço, e são o trecho mais bonito do caminho para muitos viajantes. O asfalto entre São Gonçalo, Milho Verde e o Serro soma 30,6 km. Durma em uma das pousadas simples de Milho Verde e aproveite as cachoeiras próximas da vila.

Dia 3 — Serro e o queijo (cerca de 20 km)

O Serro deu nome a um dos queijos mais conhecidos de Minas. O queijo do Serro, de leite cru, tem Indicação de Procedência concedida pelo INPI em 2011. Muitas fazendas da região vendem direto ao visitante, mas a visita à queijaria quase sempre precisa ser combinada antes. Entenda as diferenças entre as regiões em queijo artesanal.

Dia 4 — Conceição do Mato Dentro (63 km)

O município abriga a Cachoeira do Tabuleiro, a mais alta de Minas, com cerca de 273 m de queda livre, dentro do Parque Natural Municipal do Tabuleiro. O parque abre das 8h às 17h, cobra ingresso e limita a visitação a cerca de 450 pessoas por dia; a trilha até o poço da base é exigente. Antes, leia como visitar cachoeiras com segurança.

Dia 5 — Ipoema e Catas Altas (95 km + 72 km)

É o dia mais longo. Ipoema, distrito de Itabira, tem o Museu do Tropeiro, que conta a história de quem levava mercadorias em lombo de mula pelos caminhos do ouro. De lá, siga para Catas Altas, cidade pequena aos pés da Serra do Caraça, e durma por ali.

Dia 6 — Caraça, Mariana e Ouro Preto (54 km até Ouro Preto)

O Santuário do Caraça, entre Catas Altas e Santa Bárbara, combina igreja histórica, trilhas e a famosa visita do lobo-guará ao adro à noite, para quem dorme lá. Depois, siga até Mariana e Ouro Preto, a 99 km de Belo Horizonte, para fechar o caminho.

Variações

Fim de semana. Faça só Diamantina, Milho Verde e Serro. São cerca de 64 km entre Diamantina e o Serro, e a volta a Belo Horizonte leva umas quatro horas.

De bicicleta. O instituto estima cerca de oito dias de pedal para o Caminho dos Diamantes inteiro e 27 dias a pé. Veja o guia de cicloturismo antes de planejar.

Com a Mantiqueira. O Caminho Velho passa pela região de Passa Quatro e pode ser combinado com o roteiro pela Serra da Mantiqueira.

O que comer no caminho

Queijo do Serro, doces caseiros de leite e de frutas e frango com ora-pro-nóbis, folha típica da cozinha mineira, aparecem com frequência nos cardápios do caminho. Em Paraty, no fim do Caminho Velho, a cachaça é Denominação de Origem desde 2024, segundo o INPI. Mais sobre a cozinha da roça mineira em comida de fazenda.

Quando ir

Abril a setembro, a estação seca, é a melhor época para a terra. Julho e feriados lotam Diamantina e Ouro Preto, então reserve cedo. De novembro a março as cachoeiras estão cheias, mas as estradas sofrem. O comparativo por região está em melhor época para turismo rural.

Fontes