Estrada Real: roteiro pelos caminhos do ouro, dos diamantes e do queijo

Como planejar uma viagem pela Estrada Real, entender os quatro caminhos, tirar o passaporte e incluir queijo, cachaça e fazendas no percurso.

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Por Equipe Viagem Rural

7 min de leitura

Marco da Estrada Real ao lado de estrada de terra, perto de Ouro Preto
Estrada Real — Foto: MTur Destinos / Wikimedia Commons (Public domain)

A Estrada Real é mais do que uma rota turística. Ela reúne caminhos históricos que ligavam as regiões mineradoras de Minas Gerais aos portos do Rio de Janeiro, e hoje atravessa cidades históricas, serras, fazendas e vilarejos.

Para quem gosta de viagem rural, ela é uma boa porta de entrada: dá para percorrer trechos curtos, dormir em propriedades, provar produtos artesanais e ver como o campo mineiro mudou ao longo dos séculos. Este roteiro explica como a rota funciona e como escolher por onde começar. Ele faz parte do nosso guia de turismo rural no Brasil.

O que é a Estrada Real

Segundo o Instituto Estrada Real, a rota tem mais de 1.630 quilômetros de extensão e passa por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O Instituto foi criado em 1999 com o objetivo de organizar, fomentar e gerenciar o produto turístico Estrada Real.

Vale lembrar que a Estrada Real não é uma estrada única e contínua. Ela é um conjunto de caminhos, alguns asfaltados, outros de terra, e muitos trechos são feitos de ligação entre estradas locais. Por isso o planejamento faz toda a diferença.

Os quatro caminhos

O Instituto divide a Estrada Real em quatro caminhos oficiais.

  • Caminho Velho: liga Ouro Preto a Paraty, no litoral fluminense. Tem cerca de 710 km, segundo o Instituto.
  • Caminho Novo: liga Ouro Preto ao Rio de Janeiro, com cerca de 515 km.
  • Caminho dos Diamantes: liga Ouro Preto a Diamantina, com cerca de 395 km.
  • Caminho do Sabarabuçu: o quarto caminho do circuito oficial. Confira no site do Instituto o trajeto e os pontos de carimbo.

Nos roteiros publicados pelo Instituto, boa parte do Caminho Velho e do Caminho dos Diamantes é feita em estrada de terra. Por isso, as condições variam bastante com a chuva e a época do ano.

Se é a sua primeira vez, escolha um caminho e um trecho de poucos dias, em vez de tentar cumprir a rota inteira.

Como percorrer: carro, moto, bicicleta ou a pé

A rota pode ser feita de várias formas, e cada uma pede preparo diferente.

  • De carro: é a opção mais prática para fins de semana e para quem viaja em família. Leia antes o guia de como dirigir em estrada de terra.
  • De moto: exige atenção redobrada com areia solta, cascalho e curvas fechadas.
  • De bicicleta: o cicloturismo tem muita adesão na Estrada Real, mas pede condicionamento e apoio logístico.
  • A cavalo: algumas propriedades organizam cavalgadas, geralmente de poucas horas ou de um dia.
  • A pé: há quem faça trechos em caminhadas de vários dias. Nesse caso, leve mapa, água e avise alguém sobre o roteiro.

Não subestime as distâncias. Em estrada de terra, 50 quilômetros podem levar muito mais tempo do que em uma rodovia asfaltada.

O Passaporte Estrada Real

Uma das partes mais divertidas da rota é o passaporte. Segundo o Instituto Estrada Real, ele é gratuito e individual. Para obtê-lo, é preciso preencher um formulário no site, aguardar o e-mail com o código e apresentá-lo em um ponto de retirada, junto com 1 quilo de alimento não perecível.

Os carimbos comprovam que você passou por determinada cidade. Ao cumprir um número mínimo de carimbos em cada caminho, é possível receber um certificado. As regras mudam entre passaporte físico e virtual, e as quantidades também variam por caminho. Confira os detalhes no site oficial antes de viajar.

O que provar pelo caminho

A Estrada Real é uma boa oportunidade para conhecer a produção artesanal mineira. Dois exemplos têm reconhecimento oficial.

Queijo do Serro

O modo artesanal de fazer o queijo do Serro, que usa leite cru, recebeu do INPI, em 2011, o registro de Indicação de Procedência. A cidade faz parte do Caminho dos Diamantes. Se quiser entender melhor essa tradição, leia sobre o queijo artesanal e compare com a produção da Serra da Canastra.

Cachaça de Paraty

Paraty, no fim do Caminho Velho, foi a primeira região do país a ter Indicação Geográfica para cachaça, em 2007. Em 2024, ganhou também o reconhecimento de Denominação de Origem, segundo o INPI. Ao visitar produtores, veja as dicas de como visitar um alambique.

Café e outros produtos

Em vários trechos da rota, propriedades rurais produzem café, doces, embutidos e artesanato. Pergunte na hospedagem sobre visitas locais e veja mais em turismo do café. Muitos produtores só recebem visitantes com agendamento, então ligue antes.

Como dividir a viagem

Uma boa forma de organizar o roteiro é pensar em blocos de três a cinco dias, cada um centrado em uma região.

  1. Escolha o caminho. Se você quer história e cidades coloniais, o Caminho dos Diamantes e o Velho têm bastante conteúdo. Se prefere paisagem de serra, procure trechos que passam por regiões de serra, como a Mantiqueira.
  2. Defina a base de cada noite. Em vez de trocar de hospedagem todo dia, use duas ou três bases e faça bate-voltas.
  3. Reserve um dia sem programação. Estrada de terra costuma atrasar a agenda, e ter folga evita correria.
  4. Deixe espaço para o acaso. Muitos vilarejos têm artesãos, feiras e cozinha caseira que não aparecem nos guias.

Se quiser combinar a Estrada Real com outras paisagens da região, use como apoio o roteiro pela Serra da Mantiqueira.

Onde se hospedar

Ao longo da rota há pousadas, hotéis-fazenda, chalés e casas de família. Compare o que está incluído e confirme detalhes como horário de café da manhã, acesso por estrada de terra e sinal de celular. O guia de hospedagem rural ajuda a entender as diferenças.

Confira se o prestador tem cadastro no Cadastur, o sistema oficial do Ministério do Turismo. Ele é obrigatório para meios de hospedagem e outros serviços.

Quando ir

A época seca, que em grande parte de Minas Gerais vai do outono ao inverno, costuma facilitar o acesso às estradas de terra. Na estação chuvosa, alguns trechos ficam com lama, poças e erosão, principalmente em áreas mais afastadas.

Feriados e o período de julho lotam a hospedagem em cidades históricas. Consulte o guia da melhor época para turismo rural e reserve com antecedência.

Cuidados e preparo

Perguntas frequentes

A Estrada Real é uma única estrada?

Não. É um conjunto de caminhos históricos, com trechos asfaltados e de terra, que passam por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Preciso fazer a rota inteira?

Não. A maioria dos viajantes faz trechos. Escolha um caminho e uma região, de acordo com o tempo disponível.

O passaporte é obrigatório?

Não. Ele é opcional e serve para registrar a viagem. Segundo o Instituto Estrada Real, é gratuito e individual.

Dá para fazer de carro comum?

Em muitos trechos, sim, mas há partes de terra com buracos, lama e declives. Pesquise as condições do trecho e converse com a hospedagem.

Quantos dias são necessários?

Depende do trecho. Fins de semana permitem conhecer uma região, e uma semana comporta um percurso maior.

Conclusão

A Estrada Real funciona melhor quando você escolhe um pedaço da rota e o faz com calma. O valor da viagem está nos detalhes: a parada para um café, o queijo comprado direto do produtor, a conversa com quem mora ali.

Antes de sair, confirme condições de estrada, horários e regras das propriedades. Essas informações mudam com frequência.

Fontes

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